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Representatividade

O patrão nosso de cada dia

por Laura Conceição

Será que eles tão achando 

Que a gente tá gastando 

O dinheiro que 

É do nosso patrão? 

 

Mas na verdade eu não 

Tenho nem patrão 

Pois eu estou desempregada 

E poesia falada 

Não tem remuneração 

 

Tempo é dinheiro 

Eu vou sem tempo 

Vou sofrendo 

Pois além de tempo 

Dinheiro não vem fácil não 

 

Mesmo se eu tivesse um dinheiro 

Uma Bufunfa, um trocado, um migué 

Não adiantaria

Pois nunca nenhum dia 

O dinheiro compraria 

O amor daquela mulher 

 

Mas que tristeza 

Vou chorar com meu benzinho 

Vou pedir mais um carinho 

Pra acalentar coração 

Mas na verdade eu não tenho 

Nem benzinho 

No passo do mineirinho 

Hoje em meu coraçãozinho 

Só existe serração 

 

Serração baixa 

Sol que racha 

Que desgraça 

Pra ver Graça 

Vou ter que rachar a pé 

Sai da praça 

Sem cachaça 

Fui na raça 

E de pirraça 

 nem de Graça 

Consegui um picolé 

 

Querem versos de resistência 

Falando de resistência 

Mostrando resistência 

Juventude e resistência 

É porque tá na moda 

E pra nóis que vive de resistência 

Exalando a essência 

Só sobra decadência 

E eles gritam com violência 

Que o hip hop é foda 

 

 Se eu for pro calçadão 

Falar minha arte

O policial me bate 

O machista me abate 

Os cachorro me avança e late 

Meu fim será massacrante 

Caso contrário é só coincidência mera 

Eu já sei o que me espera 

Pois eu conheço a minha terra 

Pouca gente me tolera 

Pois são Intolerante 

 

No Facebook o boy paga de covarde 

Solicita amizade 

Diz q sou um show à parte 

Que venera minha arte 

Começa a babar meu ovo 

Eu quero ver não me largar 

Dizer que eu sou pra namorar 

Quando o ano acabar 

Me levar para ceiar  

Com a família no ano novo 

 

Tem gente que nem escuta meu poema 

Diz que eu sou um problema 

Depois vem julgar meu tema 

E pra tirar teima 

Me chama de sapatão 

Eu acho até  engraçado 

Não me pega seu mal olhado 

Tenho boa intuição 

Se não atura enfia a cara num buraco 

Porque isso no seu caso é 

Uma boa solução 

 

E dando pitaco etc e coisa e tal 

Poesia marginal 

Me chamam de marginal 

Pois ela sei recitar 

Não é marginal, é periférica 

Resistência e métrica 

Vida assimétrica 

Cês só ensinam a métrica de

Ferreira Gullar 

 

Então pra me ajudar 

Vê se compra uma rifa 

Salve poesia de perifa 

Uma salve pra cooperifa 

E pro poeta Sérgio Vaz 

E agora um minuto de silêncio 

Pro futuro do milênio 

Pra todxs poetas gênios 

Que perderam a sua paz 

 

É preciso resistir continuar 

Não parar de recitar 

Pra gente não acabar

Num eterno “aqui jaz” 

 

Laura Conceição

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