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Crônicas

Sflurbles

por Tiago Sarmento

Chame de “Deus” o que você bem entender: o Deus cristão, Alá, algum Xangô, Jesus, Ateu, o David Gilmour, o Stephen Hawking ou a Mariana Ximenes. Aliás, para sermos ainda mais coerentes com o nosso tema, não use nem o termo “Deus”, que já ficou pejorativo demais: chame de Sflurbles.

Mas não chame de Sflurbles aquele Deus católico que pregou seu filho predileto na cruz o condenou a uma eternidade em cima dos quadros negros nas salas de aula; também não chame de Sflurbles aquele que te manda se explodir em nome de 72 virgens; também, e muito menos, chame aquele Deus homofóbico e racista como pregam as missazinhas de garagem geométricas, vendendo religião como velharias agarradas em casa; jamais chame de Sflurbles qualquer um que tenha sido criado pelas mãos humanas de pessoinhas pretenciosas e manipuladoras querendo colocar o cabresto nas ovelhinhas deitadas na grama.

Chame de Sflurbles, sei lá, sua condição cientificista, pacífica, amorosa. Chame de Sflurbles seu tesão pela música, sua catarse pelo cinema iraniano, o quadro pintado pela tua avó, o role semanal de bike ou skate.

Só não deixe de ter um Sflurbles.

Sflurbles é aquilo que te traz fé; mas não essa fé disfarçada de existencialismo hipócrita de espíritos, influências astrais ou quaisquer coisas que sejam. Eu tenho fé, mas isso está longe de ser resolvido com um lugar ardendo de tormentas ou outro com um barbudinho onde todos tem asas e plainam em nuvens. Deus e o Diabo estão na sua cabeça; por isso que ela queima às vezes e por isso que, às vezes, você fica “nas nuvens”.

O mais ateu dos homens precisa de Sflurbles, pois Sflurbles é tudo aquilo que o movimenta adiante buscando sempre o inalcançável. Essa fé que os religiosos tanto pregam é necessária. Não a espiritual do Bode x Anjo, mas o sentido de fé mesmo: a crença muitas vezes intangível em algo que não seja provável.

Creia nos X-Men. Creia no título mundial do Botafogo. Creia que você possa voar agora, do nada. Creia que o Trump pode sumir. Creia na paz. Creia na Geise Arruda. Creia na sua tese de doutorado em física quântica.

Creia em Sflurbles.

Eu, por minha vez, que me considero um ateu não-praticante (pois não fico pregando e nem pensando nisso), tenho fé irrestrita em que um dia eu encontrarei a PAZ. Esse é meu Sflurbles. Não é o Deus do dízimo, nem o do dilúvio, nem o da covardia da outra face, nem o em flor de lótus, nem o que me manda beber sangue de cabra, nem o que me manda sacrificar criancinhas em altares enegrecidos ou tampouco o que me manda apedrejar minha mulher infiel (Oh, mulher infiel! Um abraço, Secos & Molhados).

Mas eu creio, dentro de mim, em uma série de sequências de ações que tomarei em nome de Sflurbles para alcançar o meu destino. Ah sim, não é Sflurbles que vai me conceder nada disso. Sflurbles apenas funciona como aquela luz no fim do túnel pra me conduzir aos meus desejos. Mas quem tem que andar até lá sou eu.

Em respeito à todas as religiões mas com severas e incomensuráveis críticas a todas – especialmente ao próprio conceito de religião, a coisa mais hipócrita do Reino das Terras –, creia no Deus e siga os dogmas e doutrinas religiosas que melhor lhe aprouver.

Mas não se esqueça nunca de Sflurbles. Sflurbles acredita em você e está te vigiando daí mesmo, de dentro de você mesmo.

E vá buscar sua meta.

E que Sflurbles esteja com você.

Ele está no meio de nós.

Vá com Sflurbles!

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