Amazônia: como reverter a sua degradação? – pt. 4

preservacao das florestas amazônica

Fala, Zé! - Por Zé Abramo

15/10/2019

No post de hoje, temos a quarta e última parte dos textos na minha coluna relacionados a Amazônia. Hoje, abordamos os recursos da Amazônia e suas potencialidades e como as mesmas são exploradas.

Potencial Hidrelétrico da Amazônia

A Bacia do Rio Amazonas é a que apresenta maior potencial hidrelétrico do Brasil. Esse potencial é de, aproximadamente, 96,6 mil MW (MegaWatts), dados da Eletrobrás valores contabilizados em dezembro de 2016.

Como a matriz energética brasileira é mantida hidrenergética, isto vai implicar uma expansão na Amazônia, segundo demanda não apenas local. Na Amazônia já se encontra 52% do potencial hidroenergético brasileiro. Mas, preservar a biodiversidade e a região amazônica face à demanda energética é um desafio para os próximos 30 anos ou mais.

É fundamental uma integração de ciência e tecnologia e planejamento de gestão de recursos para se prosseguir com o projeto de hidroeletricidade.

A construção de Hidrelétricas prevê áreas inundadas. O efeito da área inundada é a decomposição da vegetação terrestre e deterioração da qualidade da água. Considera-se também perda de ecossistemas terrestres e aquáticos, notoriamente a biodiversidade.

falaze-usina-hidreletrica-de-belo-monte-amazonia

Usina Hidrelétrica de Belo Monte

Nos últimos cinquenta anos a construção de reservatórios provocou alteração nos mecanismos de funcionamento de rios, lagos, áreas alagadas, pântanos, em vários pontos do Brasil. Ocorre que para a perda do potencial agrícola das áreas submersas não há como atenuar as perdas. Porém, para os outros impactos a solução é o monitoramento, ou seja, acompanhar a evolução no espaço e no tempo.

Mas além da maior Bacia Hidrográfica do mundo, temos ali também o SAGA – o Sistema Aquífero Grande Amazônia. Descoberto por pesquisadores da Universidade Federal do Pará, possui 162.520 km³, que abrigam de forma subterrânea mais de 150 quatrilhões de litros de água. Para comparar o aquífero Guarani tem 39 mil km³ de capacidade.

Biodiversidade  – Flora e Fauna Amazônica

Estudiosos e especialistas suspeitam que a região amazônica concentra mais de um terço de todas as espécies vivas do planeta. No entanto, esses dados têm de ser conferidos porque os ecossistemas geram novas espécies a todo tempo e assim são catalogadas. Somente o IBGE já identificou 70 tipos de vegetação que não foram alterados pelo ser humano.

preservacao das florestas amazônica

Os números catalogados perfilam no entorno de 3.000 espécies de peixes, mais de 1.300 espécies de aves e algo como 30.000 espécies de plantas. Cerca de 1.800 espécies de borboletas; 427 espécies de anfíbios; 378 espécies de répteis. Reconhecidas 3.000 espécies de abelhas e no entorno de 300 espécies de mamíferos. Muitas dessas espécies só existem na região amazônica.

Navegação

Em se falando de navegação consideramos que a região em sua extensão, teria de ter para seu pleno desenvolvimento econômico, um sistema de navegação adequado. Mas não é exatamente isto que ocorre. Algumas distâncias, só para exemplificar, seriam: Belém – Sena Madureira – 7.740km; Belém – Xapuri – 8.325km; Belém – Cruzeiro do Sul – 8.580km.

navegacao-falaze-vaiali-amazonia

A região convive com fretes rodoviários caros, o que quase se tornam impostos para as populações. As estradas sempre necessitam caras manutenções, porque são erodidas pelo tipo de clima da região. Face a isto o sistema de navegação é inadequado. Obsoleto, e até perigoso. Sem contar o sem número de balsas que mais poluem do que transportam.

Devido à magnitude das distâncias, a região padece de dificuldades de exploração e povoamento.  Os deslocamentos o são o mais das vezes em canoas a remo ou à vela levando dezenas, senão centenas de dias de viagem, pelo Amazonas e dos seus afluentes.

A navegação como fator de desenvolvimento da Amazônia é estratégica, porque é básica para o desenvolvimento, dado que sem o transporte, estrangula-se o processo produtivo.

De toda forma, a navegação fluvial tem sido de modo o principal apoio de sustentação e de desenvolvimento da economia amazônica. As necessidades e o perfil do homem amazônico, tem no rio sua condição de vida.

Pesca

A relevância da atividade da Pesca e aquicultura é provada se verificamos que ela emprega cerca de 35 milhões de pessoas estão diretamente envolvidas, em tempo parcial ou integral, número que supera a população de muitos países. Deste total, 95% são oriundos de países de economias frágeis, ou países em desenvolvimento e subdesenvolvidos.  Maioria das pessoas envolvidas é composta por pescadores de pequena escala.

Porém 35% da produção mundial de pescados vem de países asiáticos, China, Vietnã, Índia, Bangladesh, Filipinas e Indonésia.

Das populações de peixes de importância comercial, em torno de 75% são utilizadas em excesso, o que faz caminhar para o esgotamento dos estoques. Nos últimos 40 anos a demanda quase duplicou, incluindo águas interiores. Esta tendência aconteceu em função do crescimento populacional e, portanto, deve continuar aumentando. É fato que bilhões de pessoas têm a pesca de peixes, de moluscos e crustáceos, como sua principal ou única fonte de proteínas

Como não poderia ser diferente a pesca para a Amazônia é uma atividade importante como fonte de alimento, comércio, renda e também o lazer. Principalmente as que residem nas margens dos maiores rios como os Solimões e Amazonas.

Os padrão tecnológico da pesca amazônica entre os anos de 1950 e 1970 foi elevado gradualmente.  Aparelhos de alta capacidade de captura, uso de motores a diesel nas embarcações de pesca, aumento na fabricação de gelo e expansão da pesca comercial, incentivados por planos governamentais.

A demanda tem estado elevada e contínua. Atende a um mercado interno e externo.

A quantidade peixes na Amazônia não está especificada, porém estudiosos suspeitam de até 3.000, no entanto dezenas de espécies novas são descritas a cada ano.

As bases científicas e a percepção natural do pescador são suficientes para indicar o período de desova como o período mais apropriado para a defesa da espécie.

Mesmo assim, a diminuição de alguns estoques pesqueiros da região já é fato bastante conhecido, tanto pela redução da quantidade como do tamanho de algumas espécies.

Atividades potencialmente impactantes na Amazônia, são a cultura de soja, a mineração, a construção de barragens e estradas. Estes então são fatores importantes quando se trata de política ambiental voltada para a preservação e sustentabilidade dos recursos naturais.

É importante considerar quando falamos de sustentabilidade, que a redução dos estoques pesqueiros e outros mais efeitos negativos a se abaterem sobre as espécies, não tem origem exclusivamente na pesca, mas também dos impactos negativos, como a derrubada das matas ciliares, a destruição de nascentes, o assoreamento, a poluição e o represamento de rios.

 

Veja também

Amazônia: como reverter a sua degradação? – pt. 3 | Fala, Zé! 

Amazônia: como reverter a sua degradação? – pt. 2 | Fala, Zé! 

Compartilhe: