Covid-19: Uma Doença Sistêmica

Covid-19 Fala Zé!

Fala, Zé! - Por Zé Abramo

12/05/2020

A Covid-19, ao longo de todos estes dias, quanto mais é estudada, mais se descobre que não é apenas uma doença respiratória. Mas, uma doença que atinge vários órgãos do corpo. E quanto mais é estudada, mais revela outras descobertas sobre o conjunto de seus acometimentos.

Ainda não temos a necessária distância histórica para uma avaliação precisa de todo o conjunto de ações da Covid19 no organismo e quais serão as sequelas. Aliás, se trabalha com a possibilidade da ocorrência de sequelas em estudos de diferentes áreas.

No entanto, 81% das pessoas, estima-se que não apresentarão sequelas porque terão a forma branda da doença. No momento atual estima-se que cerca de 19% vão ter a forma grave da Covid-19. Dentre estes 5% podem apresentar um quadro muito crítico, evoluindo com choque e disfunção de múltiplos órgãos. Assim dependendo do tipo de dano causado, o paciente pode desenvolver disfunções definitivas.

A doença causada pelo Covid-19, à medida que o número de infectados e mortos cresce de forma exponencial, se mostra mais complexa do que no início se imaginava. Em princípio, a sintomatologia catalogada passa por outros órgãos, intestino, coração e cérebro, mas existem outras intercorrências que tornam a doença ainda mais sinistra.

Em alguns pacientes que receberam tratamento para o Covid-19, foi percebida a formação de coágulos sanguíneos. Ora, esses coágulos podem atingir órgãos como pulmão, coração, cérebro e até membros do corpo como dedos da mão e dos pés, provocando gangrena nos mesmos, e também infartos ou AVCs, que terão obviamente final fatal.

Os médicos relatam a experiência não tão comum de coágulos em infecções. Na gripe espanhola de 1918, foi registrado em algum grau. Mas, também os outros vírus, tais como HIV, Ebola, dengue, percebe-se propensão à formação de coágulos sanguíneos. Mas no coronavírus o efeito pró-coagulação pode ser muito pronunciado.

Outros sintomas do Covid-19 manifestos por alguns pacientes, são perda de olfato e perda de paladar. Estranho, mas “A maioria dos vírus podem prejudicar o tecido onde se reproduzem ou provocar danos colaterais do sistema imunológico que combate as infecções”, explica Jeremy Rossman, virologista da universidade britânica de Kent.

Porém os virologistas de Nova York vêm suspeitando de quadros inflamatórios “multissistêmicos raros”, de pacientes que provavelmente estavam acometidos da Covid-19, embora esta não seja a suspeita inicial, pelos sintomas catalogados à princípio como mais parecidos com uma gripe.

Outros acometimentos do Covid-19

Alguns estudos médicos têm descrito outras consequências eventualmente letais da doença tais como os acidentes vasculares cerebrais e problemas cardíacos. O que fala a favor dos coágulos sanguíneos.

Estudos feitos cada qual a seu turno na França e na Holanda relataram que até 1/3 dos pacientes graves do Covid-19 padeceram de embolia pulmonar, um bloqueio de grande letalidade em uma das artérias dos pulmões. Isso está ligado à presença de coágulos sanguíneos nas veias das pernas que podem ir para os pulmões. Em comparação, a prevalência de embolia pulmonar foi de 1,3% em pacientes críticos que não tiveram Covid-19.

Os cientistas da Universidade de Medicina de Nanjing (China) reportaram casos de pacientes que desenvolveram complicações urinárias e problemas renais agudos.

Se nós temos um leque de sintomas tão imenso, não poderíamos supor que na realidade temos muitos mais acometidos que, por passarem por pacientes de outras enfermidades, estariam mascarando os números reais do Covid19?

Então, se temos nesse momento, no entorno de 4, 0 milhões de infectados, estimados, na realidade, teríamos centenas de milhões. O que sugere este sem número de sintomas, que inclusive parece incluir alterações nos hormônios sexuais masculinos? Isto tudo sugere que a doença Covid-19 seria um mal sistêmico e não uma afecção respiratória e nem mesmo uma doença hematológica, mas de todo o sistema.

A doença sistêmica é uma doença que afeta uma série de órgãos ou tecidos ou que afeta o corpo humano como um todo, como texto publicado no G1.

“Nos afirmaram em um primeiro momento: febre, dor de cabeça, tosse. Depois adicionaram o nariz com coriza, a garganta que arranha. Depois, alguns sintomas digestivos: diarreia, dor de estômago”, afirma Sylvie Monnoye, médica de família em Paris.

“Depois as dores na caixa torácica, a perda do paladar e do olfato, problemas de pele como urticária ou frieira nos dedos dos pés, problemas neurológicos. ‘Começamos a pensar que era necessário desconfiar de quase tudo’ comenta a doutora Monnoye”.

Quando um paciente está muito afetado pela Covid-19, ele pode ter problemas com coágulos sanguíneos, fato raro em outras viroses. Logo estará mais propenso à ser levado à óbito.

Assim devemos cuidar que, a população, os atendentes nos vários centros e postos de saúde, e as equipes médicas, que os diagnósticos sejam bem firmados, dado o leque de problemas possíveis disparados pelo vírus.

Enfatizando, este é um problema de saúde pública. Porque neste momento, aquilo que foge aos sintomas definidos entre fevereiro e março, é considerado ônus ainda maior para o sistema de saúde. Estes pacientes, possíveis infectados, seguem seus rumos, infectando outros, ou desenvolvendo um quadro que exigirá maiores cuidados depois, com um sistema colapsado.

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